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DESMISTIFICANDO O LEITE

04/02/2014

 

Vivemos numa sociedade que fez do leite de vaca um alimento heróico... Basta digitar no Google “Benefícios do leite”, e encontramos mais de 10 milhões de resultados!!! De fato, seu consumo associado à uma dieta saudável pode trazer bons resultados à saúde humana... Mas se esqueceram de falar sobre as alergias alimentares!

O leite é fonte de caseína, alfalactalbumina e beta-lactoglobulina, proteínas que apresentam baixíssima digestibilidade, ou seja, o organismo tem dificuldade para “quebrar” essas proteínas em partículas menores para que possam ser absorvidas e aproveitadas. Por esse motivo, se tais proteínas mal digeridas são absorvidas, elas desencadeiam uma resposta imunológica no organismo, uma vez que o corpo não “reconhece” tais substâncias. Tal resposta pode ser imediata, produzindo sintomas como vômitos, urticária e até fechamento da glote, ou pode ser tardia. As alergias tardias, também conhecidas por hipersensibilidades alimentares tardias, vêm sendo largamente ignoradas, uma vez que geram sintomas horas ou mesmo dias após o consumo do alimento considerado alergênico, além de produzirem sintomas inespecíficos, em diversos órgãos e sistemas orgânicos, que muitas vezes não são associados ao consumo do tal alimento. Manifestações dermatológicas como a acne e dermatites, doenças respiratórias como a asma e rinite, enfermidades auto-imunes como o diabetes mellitus tipo 1 e sintomas comportamentais como distúrbios de ansiedade, alteração do humor, depressão e hiperatividade têm sido apontadas na literatura científica como resultado da exposição ao leite de vaca. A alergia à proteína do leite de vaca também produz diversos sintomas digestivos como aftas, azia, constipação e diarreia, além de gases, uma queixa muito frequente que usualmente pode estar associada à intolerância à lactose (que não é uma alergia). A presença desses sintomas digestivos pode ainda afetar o controle postural!

Entendendo a alergia tardia, como diagnosticá-la? Existem exames laboratoriais que facilitam esse diagnóstico, mas na sua maioria são caros e podem produzir resultados falso-negativos. Uma avaliação detalhada da história pregressa do indivíduo e de alguns sinais e sintomas apresentados permite a identificação de tal alergia. O tratamento dietético é complexo e só deve ser feito com a orientação de um nutricionista, de forma a promover e orientar as substituições alimentares recomendadas. A base do tratamento é a redução do consumo ou a exclusão desse alimento e de seus derivados da dieta, mas deve ainda envolver condutas para melhorar a digestão, melhorar a integridade intestinal, melhorar a resposta imunológica e a capacidade do corpo em remover as toxinas geradas pela exposição ao alimento alergênico. A reintrodução do leite e seus derivados na dieta é possível após um período de exclusão em alguns casos. Porém, em outros casos, o consumo deve ser contra-indicado.

Vale lembrar às futuras mamães que o parto normal, a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses de vida e a correta introdução de alimentos durante o desmame, reduzem o risco do desenvolvimento de alergias alimentares, além de todos os outros benefícios já conhecidos da amamentação ao seio.


Bruna Donatti

Nutricionista, especialista em Nutrição Clínica e em Nutrição Clínica Funcional. Nutricionista e diretora da Única Gestão em Nutrição.

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